terça-feira, 14 de junho de 2011

O sanitarista no NASF

Sei que a formação dos profissionais na maioria das vezes, não corresponde ao que o SUS necessita, mas estou sem entender o papel do sanitarista.
As profissões costumam ter bases, grandes campos de atuação e, no caso do sanitarista, eu aprendi que eram a vigilância à saúde, o planejamento e gestão e as ciências sociais na saúde. Dentro disso, ainda tivemos áreas que em muitos momentos foram muito importantes como a saúde do trabalhador, a saúde e ambiente, dentre outras.
Mas como incluir um sanitarista no NASF?
Cada Núcleo de Atenção à Saúde da Família é responsável por fazer o apoio matricial de 8 a 10 unidades de saúde da família e portanto, de um território definido.
Qual o papel do sanitarista neste núcleo?
Seria nas grandes áreas de atuação ou em apenas uma delas? é pra fazer Vigilância à Saúde?
Propõe-se para a Estratégia NASF Recife a inclusão de um sanitarista em cada núcleo. Ações: vigilância de faltosos, vigilância de agravos específicos, programas ...
Propôs-se prioridades: crianças menores de 1 ano e em situação de vulnerabilidade, imunização (operacionalização do PNI?), acidentes e violências, pré-natal, hipertensão e diabetes, tuberculose e hanseníase, DST/HIV/AIDS, Câncer (colo, mama e próstata)
Será que é esse o papel do sanitarista?
ou essas são atividades básicas da equipe de saúde da família que não são feitas e que agora pretende-se que sejam feitas por mais um profissional?
Quem vai planejar a ação de saúde no território?
Quem vai discutir a saúde ambiental, a vigilância sanitária, a saúde do trabalhador, a gestão dos programas no território, a produção de conhecimento, a gestão do ensino...

Um comentário:

  1. Oi Paulette,

    por acaso, preparando uma apresentação sobre esse tema achei seu blog. veja que coisa! nem sabia que você tinha um rs
    Sobre o assunto, acho que essas colocações são pertinentes, mas não acho que o sanitarista vem para fazer ações que as equipes deveriam/poderiam dar conta.
    Acho que as/os sanitaristas no NASF vem para apoiar as equipes no sentido de diagnosticar e melhor acompanhar a situação de saúde doença daquele território. Acho que é uma potência (para usar o termo da gestão) tanto para a equipe NASF quanto para a ESF no sentido de inserir a prática da vigilância em saúde no dia-a-dia.
    Possivelmente, vem como uma estratégia para "sanar" o problema de que essa prática - a da vigilância - não tem sido rotineira. Mas acho que a potência do sanitarista no NASF está justamente em não fazer "apenas" vigilância em saúde, mas principalmente tê-la como recurso principal nas ações de planejamento, acompanhamento e avaliação da situação de saúde de determinada coletividade.
    É um desafio, já que as formações de sanitarista são diversas em seu curso de origem, mas principalmente porque os cursos de formação de sanitaristas (as diversas especializações que nos dão esse título) são diversos em sua proposta e qualidade pedagógica.
    Mas, enfim, como sanitarista do NASF e como uma pessoa que ainda pode escolher entrar para trabalhar apenas em algo que acredita ser ferramenta para transformação social. Acho que nós, sanitaristas, podemos ajudar no trabalho junto as ESF numa construção coletiva que não fique restrita aos números de prevalência e incidência de casos, mas que use-os para tentar mudar as estratégias de atuação dos profissionais numa relação de poder menos desigual que traga a população para autoria (e autonomia consciente) do seu processo de adoecimento.
    Acho que escrevi demais, mas me senti provocada pelo seu post e ainda estou em fase de reflexão sobre o tema.

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